A asfixia erótica está entre os fetiches mais buscados na internet e entre os que mais aparecem no pornô. Também é um dos que mais matam. Por isso este texto não ensina a praticar: explica o que é, por que não existe jeito seguro e o que fazer se algo der errado.
Em 30 segundos
- Asfixia erótica é restringir a respiração ou o fluxo de sangue para o cérebro durante o sexo.
- Não existe técnica segura: o desmaio pode vir sem aviso, e a palavra de segurança não funciona com alguém inconsciente.
- A lesão pode aparecer horas ou dias depois, mesmo quando “deu tudo certo”.
- Sem combinado, apertar o pescoço de alguém no meio do sexo é agressão.
- Desmaio, lábios roxos, confusão ou convulsão: ligue 192 na hora.
O que é
O nome cobre várias práticas: apertar o pescoço com a mão (o “enforcamento” ou choking), usar objetos, tapar boca e nariz ou prender a respiração de propósito. Em inglês, a comunidade fala em breath play. Quem gosta costuma descrever uma sensação de entrega total, adrenalina e tontura. É justamente essa tontura que mostra o problema: é o cérebro começando a ficar sem oxigênio.
Por que não existe jeito seguro
- O cérebro aguenta pouco. Com o sangue ou o ar cortado, a perda de consciência pode acontecer em segundos, e a lesão cerebral começa pouco depois.
- Não dá para avisar. A palavra de segurança e o sinal sem voz dependem de a pessoa estar consciente. O desmaio chega antes do aviso.
- O pescoço é frágil. A pressão pode machucar as artérias carótidas e provocar um AVC dias depois, alterar o ritmo do coração ou lesionar a laringe.
- Experiência não protege. Pressão “leve” e parceiro experiente diminuem a chance, mas não eliminam o risco.
- Sozinho é ainda mais perigoso. Quem desmaia sem ninguém por perto não tem quem socorra. A maioria das mortes ligadas à asfixia erótica acontece assim.
Virou comum, e quase sempre sem conversa
Pesquisas recentes com jovens adultos nos Estados Unidos mostram que o estrangulamento no sexo ficou comum, muitas vezes porque a pessoa viu no pornô, e que muita gente foi enforcada sem que ninguém perguntasse antes. Se isso aconteceu com você, não foi um fetiche: foi falta de consentimento. Leia mais sobre isso em BDSM e consensualidade.
O que dá para fazer no lugar
Muito do que atrai na asfixia é a sensação de entrega e de estar nas mãos de alguém. Dá para chegar perto disso sem colocar nada no pescoço:
- Imobilizar os pulsos com as mãos ou com algemas acolchoadas.
- Venda e privação dos sentidos, que aumentam a sensação de entrega.
- Comandos de voz e regras de obediência, a parte psicológica da dominação.
- Coleira como símbolo, sempre folgada, que não aperta.
- Segurar a pessoa pelo quadril ou pelos ombros, com firmeza e sem machucar.
Tudo isso também se combina antes, com lista de limites e palavra de segurança. Comece por BDSM para iniciantes.
Sinal vermelho: quando chamar ajuda
Ligue 192 (SAMU) imediatamente se a pessoa desmaiou, ficou com os lábios ou o rosto roxos, está confusa, não responde direito ou teve convulsão. Não espere para ver se melhora.
Vá ao pronto-socorro, mesmo que tenha parecido tudo bem na hora, se nas horas ou dias seguintes aparecer dor de cabeça forte, dor no pescoço, alteração na visão ou na fala, fraqueza ou formigamento de um lado do corpo, rouquidão, dificuldade para engolir ou para respirar. Conte ao médico que houve pressão no pescoço.
Para continuar lendo
- Aftercare e BDSM: responsabilidade emocional nos fetiches
- BDSM e consensualidade
- BDSM para iniciantes: o que resolver antes da primeira cena
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