Petra Joy, Candida Royalle e outras mulheres importantes para a pornografia.

Há alguns anos a pornografia para mulheres não era realmente algo palpável, acreditava-se que apenas homens poderiam ser estimulados visualmente e que somente eles poderiam ser público de entretenimento adulto explícito.

Apesar do pioneirismo de Candida Royalle (foto acima) nos anos 80, pornografia e mulheres na mente de muita gente nunca dariam match. Em 2001, Nielsen Netratings realizou uma pesquisa em que aponta que 30% do consumo de pornografia online era feminino.

Estamos há quase duas décadas dessa pesquisa e as mulheres dispostas a falar sobre e fazer uma pornografia mais feminina ainda são questionadas sobre a qualidade de seus trabalhos.

Petra Joy e Female Fantasies

Tem alguns anos que a dupla BardoeFada se empolgou com o filme Female Fantasies, dirigido por Petra Joy, e fez o verso “Sexo bem feito não dói, vou te comer como num filme da Petra Joy”.

O filme de 2006, época em que era incomum mulheres à frente de obras pornográficas, tem um corte de cena mais lento, enfoque maior no prazer feminino e orgasmos áudio e visualmente reais.

petra joy

O que Petra Joy (foto acima) apresenta para mulheres é sexo real e bem feito, com tremidinhas conhecidas de corpos femininos e diversidade etária, algo bem longe do que a pornografia mainstream costuma apresentar.

O site Ms. Naughty, comandado por Louise Lush desde meados dos anos 2000, traz uma reflexão do ano passado: “A frase “pornô para mulheres” ficou um pouco desatualizada.

Indo além dos conceitos de pornografia

As pessoas acham que é prescritivo, que significa apenas pornografia romântica e softcore. Há um empurrão contra a ideia de que as mulheres precisariam de pornografia feita apenas para elas porque faz suposições sobre as identidades e orientações do espectador.

Os gostos das mulheres são tão variados quanto os dos homens. Algumas mulheres gostam de coisas românticas, outras querem hardcore sujo ou BDSM. Algumas mulheres gostam tanto da pornografia convencional quanto os homens”.

porno feito por mulheres

Mulheres como consumidoras nem sempre estão em busca de softporn ou romancismo na pornografia, mas sim atrás de uma pornografia que não degrade mulheres, não tenha apenas diálogo direto com o prazer dos homens e seus gostos forjados no ego masculino.

Mulheres querem fazer parte do imaginário da prática sexual e não ser objeto nela, e é com um olhar mais próximo do consumidor que a pornográfia para mulheres, mesmo parecendo datada se faz significante.

Mulheres querem fazer parte do imaginário da prática sexual e não ser objeto nela

Uma pornografia que reflita perspectivas feminina, queer, trans, não branca e traga a pluralidade que falta no que conhecemos como mainstream.

A maioria das pessoas que estão produzindo estão inseridas em produtoras e sites independentes, conduzidos por uma variedade de mulheres, queers, trans, não binárias e pessoas não brancas.

Se eu puder dar uma recomendação para o consumo ético de pornografia é pague pelo seu pornô, para que assim essas produtoras consigam pagar de maneira adequada seus profissionais e continuar remando contra a maré, produzindo conteúdos que permitam que dedos se molhem e paus subam sem britadeiras e gemidos constantemente falsos.

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Este artigo não necessariamente representa a opinião da Xplastic.

Sobre o Autor

Thaís Mayume é formada em Comunicação Social. Coordenadora de edição de vídeos em televisão aberta, sob o pseudônimo de Mayume Maldita já editou, produziu e dirigiu filmes pornográficos em parceiria com a Xplastic, sendo um deles premiado por melhor atuação LGBT com Mayanna Rodrigues em 2015 no prêmio Sexy Hot.Organizou e produziu as exposições do festival PopPorn de 2012 a 2016, além de fazer curadoria de vídeos em 2018 com programação completamente feminina. Acredita não há emancipação sem sexualidade positiva, e que é possível subverter a pornografia e o erotismo como meio de transformação.

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