{"id":133,"date":"2015-04-21T21:05:41","date_gmt":"2015-04-22T00:05:41","guid":{"rendered":"https:\/\/xplastic.com.br\/rodovia-silenciosa\/"},"modified":"2020-05-16T15:28:20","modified_gmt":"2020-05-16T18:28:20","slug":"rodovia-silenciosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xplastic.com.br\/blog\/rodovia-silenciosa\/","title":{"rendered":"Conto de terror er\u00f3tico: Rodovia Silenciosa"},"content":{"rendered":"<p>O casal fazia sexo, de forma apressada, na sala da resid\u00eancia. Ambos usavam m\u00e1scaras que escondiam totalmente os rostos.<\/p>\n<p>Ela estava por cima: com a m\u00e3o esquerda, acariciava os seios; e com a direita, agarrava o pr\u00f3prio cabelo, loiro, no alto da cabe\u00e7a, fazendo um coque suado e desarrumado.<\/p>\n<p>Enquanto isso, ele, sentado no sof\u00e1, se limitava a segurar a cintura da parceira, n\u00e3o se furtando de arranhar toda a extens\u00e3o das costas, deixando marcas vermelhas, as quais ela adorava. Tudo acontecia naturalmente, como de costume. At\u00e9 que o prazer foi interrompido pelo som de passos, oriundos da garagem da casa. Em seguida, a porta da sala se abriu, rangendo. Mas, n\u00e3o havia ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211; Nossa, que estranho! Nem est\u00e1 ventando e a porta abriu sozinha! \u2013 Disse a mulher mascarada, com a voz abafada.<\/p>\n<p>&#8211; Meu Deus! Quase tive um infarto! Achei que fosse sua m\u00e3e! \u2013 Falou o homem, ofegante, ainda sentado no sof\u00e1.<\/p>\n<p>Ela se levantou e caminhou nua, rebolando, at\u00e9 a porta, fechando-a com uma batida seca e mal educada. Aparentemente, n\u00e3o havia nenhuma pessoa l\u00e1 fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>******<\/strong><\/p>\n<p>B\u00e1rbara dirigia em alta velocidade, conduzindo o ve\u00edculo, um Logan preto, motor 1.0, pela faixa da esquerda. A madrugada j\u00e1 estava no fim, e a aus\u00eancia da cor laranja do sol nascente revelava que a neblina iria dominar a manh\u00e3. Dos olhos verdes, l\u00e1grimas geladas, de culpa e sofrimento, escorriam como got\u00edculas de orvalho. Sabia que o casamento de seus pais estava em ruinas, e que cedo ou tarde a separa\u00e7\u00e3o iria acontecer. Mas n\u00e3o esperava que fosse de maneira t\u00e3o tr\u00e1gica. T\u00e3o fria e, ao mesmo tempo, brutal.<\/p>\n<p>Desde o dia em que descobriu a possibilidade do div\u00f3rcio, lutou para que isso n\u00e3o acontecesse e para que permanecessem juntos. Mas a batalha mostrava sinais de que j\u00e1 estava perdida h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Sentia o cora\u00e7\u00e3o doendo quando se lembrava da m\u00e3e, maquiando- se de forma impotente e ineficaz, no banheiro, tentando se sentir Sexy novamente, como ela mesma dizia. Al\u00e9m disso, a imagem das diversas vezes em que vira o pai se masturbando, no sil\u00eancio da madrugada, na sala da casa, assistindo filmes pornogr\u00e1ficos no computador da fam\u00edlia, ficara impregnada no consciente, como um mau h\u00e1bito que nunca ir\u00e1 se desvencilhar.<\/p>\n<p>Dessa forma, estando no meio da situa\u00e7\u00e3o, sentia-se culpada por n\u00e3o poder mudar o curso daquelas \u00e1guas, que certamente iriam conduzir a fam\u00edlia \u00e0 ruina. Mas agora, j\u00e1 era tarde. Nada poderia ser feito.<\/p>\n<p>Uma placa sinalizava que o ped\u00e1gio de Itupeva Norte estava a cerca de um quilometro. Logo, desacelerou o ve\u00edculo e enxugou as l\u00e1grimas e o catarro na borda da camisa velha, que havia colocado sem escolher, no inicio daquela madrugada. Olhou no rel\u00f3gio digital no painel e constatou que faltavam quinze minutos para as seis horas da manh\u00e3.<\/p>\n<p>Era um domingo, dia&nbsp;vinte e nove&nbsp;de dezembro do ano de 2013, e ela estava indo para Ribeir\u00e3o Preto, para se encontrar com o pai, na casa dos Av\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cUm olhar penetrante e um par de pernas torneadas: uma faca afiada\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A cerra\u00e7\u00e3o pairava no asfalto da Rodovia como uma nuvem de poeira branca, est\u00e1tica. Apesar do hor\u00e1rio, o sol teimava em penetrar totalmente as nuvens e n\u00e3o era poss\u00edvel enxergar, com precis\u00e3o, mais do que setecentos metros \u00e0 frente, mesmo usando os far\u00f3is altos.<\/p>\n<p>Quando abriu as janelas autom\u00e1ticas do ve\u00edculo, Barbara foi presenteada com o aroma de terra \u00famida e fria. \u201cEsse ar tem cheiro de suco de caju\u201d &#8211; foi o que pensou. Tr\u00eas carros estavam \u00e0 frente, formando uma fila antes da catraca do ped\u00e1gio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, precisou encostou o cotovelo na janela, colocou a m\u00e3o sobre a testa e fechou as p\u00e1lpebras por alguns segundos. A lembran\u00e7a da separa\u00e7\u00e3o dos pais a assombrava e incomodava como uma afta exposta \u00e0 comida salgada. Consequentemente, controlou-se para n\u00e3o come\u00e7ar a chorar.<\/p>\n<p>Checou o retrovisor e verificou que os olhos estavam vermelhos e inchados, pelo fato de n\u00e3o ter dormido na noite anterior. Vestia cal\u00e7a jeans azul. A camisa velha, de mangas curtas, tinha uma colora\u00e7\u00e3o amarelada. Sobre o banco do passageiro estava um par de All Star. Barbara havia contra\u00eddo, contra o gosto do pai, o h\u00e1bito de dirigir com os p\u00e9s descal\u00e7os. \u201cN\u00e3o se preocupe. Meus p\u00e9s n\u00e3o suam!\u201d &#8211; era o que costumava argumentar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/d1gjpjrpveqnfr.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/pedalpump.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-17333\" src=\"https:\/\/d1gjpjrpveqnfr.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/pedalpump.jpg\" alt=\"pedalpump\" width=\"706\" height=\"391\"><\/a><\/p>\n<p>Quando os tr\u00eas ve\u00edculos passaram, a jovem imediatamente efetuou o pagamento da taxa do ped\u00e1gio. Enquanto aguardava a libera\u00e7\u00e3o, passou a m\u00e3o nos cabelos loiros, segurou as pontas e as levou na dire\u00e7\u00e3o do nariz arrebitado. Sentiu o cheiro suave de Shampoo L\u2019oreal Paris e, nesse mesmo momento, verificou que logo \u00e0 frente um Policial Militar, devidamente fardado, estava de p\u00e9, observando-a fixamente nos olhos.<\/p>\n<p>Um pouco sem gra\u00e7a, em decorr\u00eancia do olhar penetrante daquele homem, jogou as pontas dos cabelos para tr\u00e1s e esticou o bra\u00e7o esquerdo para apanhar o comprovante do pagamento.<\/p>\n<p>&#8211; Obrigado e boa viagem \u2013 Disse a senhora do caixa. Rapidamente, apanhou o comprovante e acelerou cerca de quatro metros, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cancela que acabara de se abrir. O Policial aproximou-se da janela do ve\u00edculo, com um sorriso sem gra\u00e7a no rosto p\u00e1lido e bem barbeado.<\/p>\n<p>&#8211; Bom dia mo\u00e7a, tudo bem? \u2013 Disse, com uma voz de m\u00e9dio tom que apresentava um forte sotaque do interior Paulista.<\/p>\n<p>&#8211; Bom dia \u2013 Respondeu B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>&#8211; Eu sou Militar e&#8230; estou indo para Limeira. Voc\u00ea vai passar por l\u00e1?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, pois vou para Ribeir\u00e3o \u2013 Respondeu, com a testa franzida.<\/p>\n<p>&#8211; \u00d3timo. Voc\u00ea se importaria em me dar carona at\u00e9 o posto de parada de Limeira? O micro \u00f4nibus da minha base vai sair de l\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Puta que pariu, agora eu estou fodida! \u2013 Pensou Barbara \u2013 Claro que posso, pode entrar \u2013 Foi o que ela disse.<\/p>\n<p>Constrangida, retirou o par de All Star do assento do passageiro e o atirou no banco de tr\u00e1s. Logo depois, destravou as portas. A primeira coisa percept\u00edvel, para Barbara, foi o cheiro de sabonete e de tabaco. N\u00e3o era bom, nem ruim. Apenas um forte cheiro de sabonete de banho misturado com cigarro barato, que passara a ocupar o espa\u00e7o no interior do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>A jovem pisou fundo no acelerador, mantendo-se na faixa da esquerda. Tensa, em raz\u00e3o de um Policial fardado estar ao lado, n\u00e3o disse nenhuma palavra, e esperou por longos dez segundos at\u00e9 que ele se pronunciasse.<\/p>\n<p>&#8211; Muito obrigado mo\u00e7a. Qual o seu nome?<\/p>\n<p>&#8211; Por nada. Meu nome \u00e9 Barbara \u2013 respondeu, sem virar o rosto. Em seguida, para criar um clima amistoso, emendou outra:<\/p>\n<p>&#8211; O seu nome, qual \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>&#8211; Pode me chamar de H\u00e9lio.<\/p>\n<p>A rodovia estava calma e sem muitos ve\u00edculos ou caminh\u00f5es. A neblina continuava intensa e dominava o asfalto gelado. B\u00e1rbara permanecia com o rosto fixo \u00e0 frente, alternando o olhar entre a pista e o veloc\u00edmetro no painel. Mais do que antes, estava preocupada em manter a m\u00e9dia de cento e dez quil\u00f4metros por hora, pois a presen\u00e7a do Policial a incomodava. Tanto que se arrependeu de n\u00e3o ter dito que iria parar antes de Limeira, para n\u00e3o precisar fazer aquele favor.<\/p>\n<p>Enquanto isso, H\u00e9lio demonstrava interesse em conversar.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o acha perigoso? Viajar no inicio da manh\u00e3? Pois o nevoeiro \u00e9 sempre forte nesse hor\u00e1rio!<\/p>\n<p>&#8211; Sim, mas eu acho mais perigoso pegar a estrada de madrugada, onde \u00e9 dif\u00edcil enxergar, mesmo usando o farol alto.<\/p>\n<p>&#8211; Entendi. Voc\u00ea viaja sempre?<\/p>\n<p>Antes de responder, B\u00e1rbara respirou fundo. Desde o momento em que o Policial entrou no ve\u00edculo ela n\u00e3o havia olhado na face dele. Mas, enquanto dirigia e conversava, percebeu por meio da vis\u00e3o perif\u00e9rica que H\u00e9lio estava com a cabe\u00e7a virada na dire\u00e7\u00e3o dela, observando-a o tempo todo, e n\u00e3o olhando para a rodovia \u00e0 frente, ou para a janela direita do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>&#8211; Olha pra frente seu filho da puta&#8230; Pare de olhar pra mim! \u2013 Pensou, segundos antes de responder \u00e0 \u00faltima pergunta.<\/p>\n<p>&#8211; Na verdade, essa \u00e9 a segunda vez que eu pego essa rodovia. Eu tenho vinte e cinco anos, tirei a carta com 18. H\u00e1 cinco meses eu fiz esse mesmo caminho com meu pai e com minha m\u00e3e, pois est\u00e1vamos indo visitar a minha av\u00f3, e lembro que eles me deixaram dirigir, pois se trata de uma pista muito boa e segura.<\/p>\n<p>&#8211; Sim \u00e9 verdade. Eu tamb\u00e9m adoro dirigir aqui. Onde est\u00e3o seus pais?\u2013 Questionou H\u00e9lio, ainda sem desviar o olhar da jovem.&nbsp;Barbara rangeu os dentes. Os molares se contra\u00edram com tamanha for\u00e7a que poderiam facilmente triturar qualquer objeto que estivesse entre eles. Quem aquele homem pensava que era, para perguntar detalhes daquele jeito? Por que ele n\u00e3o se limitava a ficar quieto e esperar, em sil\u00eancio, o posto de Limeira chegar? Essas quest\u00f5es martelavam a cabe\u00e7a dela e, para n\u00e3o estimular maiores questionamentos, resolveu responder de forma fria.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e3o l\u00e1, me esperando!<\/p>\n<p>O Policial ficou em sil\u00eancio, mas sem virar a cabe\u00e7a ou desviar o olhar. As m\u00e3os de Barbara apertavam com for\u00e7a a borracha j\u00e1 carcomida do volante. O p\u00e9 descal\u00e7o que, costumeiramente, n\u00e3o&nbsp;ficava suado&nbsp;sobre o pedal do acelerador, come\u00e7ou a dar sinais de umidade.<\/p>\n<p>A rodovia estava vazia, silenciosa e, em raz\u00e3o do volume da neblina ter aumentado, n\u00e3o era poss\u00edvel enxergar muito al\u00e9m. Logo, precisou diminuir a velocidade para noventa quil\u00f4metros por hora e se direcionar at\u00e9&nbsp;\u00e0 faixa do meio. Nesse momento, finalmente, H\u00e9lio virou a cabe\u00e7a e tamb\u00e9m passou a observar a rodovia \u00e0 frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cO sofrimento no inferno \u00e9 eterno, e as pessoas passam o tempo assistindo os pecados que cometeram quando eram vivas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Aquilo, o desvio de foco do Policial, fez B\u00e1rbara ficar relaxada. Mas n\u00e3o durou muito, pois logo em seguida, o homem levantou o bra\u00e7o esquerdo e come\u00e7ou a co\u00e7ar a cabe\u00e7a, de forma fren\u00e9tica. At\u00e9 ent\u00e3o, um gesto normal e t\u00edpico. Por\u00e9m, o som alto e desproporcional que as unhas produziam, ao serem raspadas nos cabelos e no couro cabeludo, causou afli\u00e7\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o na Jovem. Parecia que estava machucando, cortando, raspando a carne da cabe\u00e7a. \u201cMeu Deus! As unhas dele devem estar grandes!\u201d \u2013 Pensou B\u00e1rbara, engolindo em logo em seguida.<\/p>\n<p>O Policial parou de se co\u00e7ar e repousou a m\u00e3o no colo. Nesse momento, B\u00e1rbara&nbsp;teve uma breve impress\u00e3o que a deixou aterrorizada: aparentemente, as unhas dele eram enormes e escuras, como se fossem garras de um animal selvagem.<\/p>\n<p>\u201cCaralho! Que porra \u00e9 essa!\u201d \u2013 Pensou, desejando poder virar o rosto discretamente e poder constatar se sua impress\u00e3o era real ou n\u00e3o. H\u00e9lio continuou mergulhado em seu repentino sil\u00eancio. N\u00e3o se mexia e permanecia sem dizer uma palavra. At\u00e9 que virou o rosto na dire\u00e7\u00e3o da janela \u00e0 direita do ve\u00edculo e fez um coment\u00e1rio vazio e superficial sobre as gigantescas planta\u00e7\u00f5es de cana de a\u00e7\u00facar que haviam naquele lugar da estrada. Aproveitando esse momento, B\u00e1rbara&nbsp;virou&nbsp;o rosto e conseguiu, para a sua infelicidade, comprovar que a impress\u00e3o de outrora era verdadeira. Ali\u00e1s, a realidade diante de seus olhos mostrou-se ainda mais chocante: as unhas do Policial eram muito grandes, quase do mesmo tamanho dos dedos; eram escuras; curvadas; e pontudas. Naquele momento, o p\u00e9 de Barbara come\u00e7ou a suar como nunca.<\/p>\n<p>A rodovia, cercada por aquelas vastas planta\u00e7\u00f5es de cana e propriedades rurais, estava praticamente deserta. O sol j\u00e1 havia nascido por completo, mas estava escondido atr\u00e1s das nuvens com cor de merc\u00fario, que dominavam o c\u00e9u. Aparentemente, a neblina n\u00e3o iria se dispersar t\u00e3o cedo e, a cada quil\u00f4metro percorrido, a sensa\u00e7\u00e3o era a de estar entrando em uma imensa bola de algod\u00e3o encardido, que cobria e sufocava a paisagem daquela manh\u00e3 de domingo.<\/p>\n<p>De repente, H\u00e9lio quebrou o sil\u00eancio com uma pergunta estranha:<\/p>\n<p>&#8211; Estou com fome. Por acaso voc\u00ea tem alguma coisa para eu comer?<\/p>\n<p>A mo\u00e7a n\u00e3o entendeu a pergunta. Na verdade, escutou nitidamente, mas seu c\u00e9rebro, n\u00e3o acostumado com esse tipo de abordagem, obrigou-a a solicitar a repeti\u00e7\u00e3o daquela indaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Desculpe, eu n\u00e3o entendi.<\/p>\n<p>&#8211; Quero comer alguma coisa! Voc\u00ea tem algo para me dar?<\/p>\n<p>Realmente&nbsp;o&nbsp;policial desconhecido, que estava de carona, e que portava as longas unhas escuras, com o mesmo aspecto de garras de um Urso Grizzly, havia pedido comida. Esse \u00e9 o tipo de indaga\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m espera escutar de um desconhecido, ainda mais naquela circunst\u00e2ncia. Instintivamente, a mente feminina de B\u00e1rbara&nbsp;come\u00e7ou a temer a possibilidade de abuso sexual e estupro, tanto que, como um &#8220;flash&#8221;, imaginou-se numa delegacia fazendo um boletim de ocorr\u00eancia, portando uma mancha enorme de sangue sobre a cal\u00e7a jeans, na regi\u00e3o da bunda.<\/p>\n<p>O temor aumentava.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as m\u00e3os, e tamb\u00e9m os p\u00e9s descal\u00e7os, j\u00e1 estavam perigosamente molhados de suor.<\/p>\n<p>&#8211; Me desculpe, mas n\u00e3o tenho nada aqui no carro comigo \u2013 Respondeu, sem jeito e com um sorriso sem gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O Policial gargalhou e contra argumentou.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea est\u00e1 mentindo para mim! Estou sentindo cheiro de comida! Como se estivesse possu\u00eddo por uma liberdade, que n\u00e3o lhe fora concedida, H\u00e9lio meteu a m\u00e3o no bot\u00e3o do porta luvas, e o abriu. L\u00e1 de dentro, retirou o que parecia ser uma ma\u00e7\u00e3 e uma banana, ambas enroladas em papel alum\u00ednio.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui, n\u00e3o falei que voc\u00ea tinha comida!<\/p>\n<p>&#8211; Na verdade, isso est\u00e1 ai dentro desde a semana passada, e eu me esqueci de jogar fora. Deve estar podre, n\u00e3o coma!<\/p>\n<p>Os l\u00e1bios \u2013 carnudos \u2013 de Barbara tremiam.<\/p>\n<p>Estava com muito medo, pois aquela situa\u00e7\u00e3o totalmente sem l\u00f3gica a assustava. Afinal de contas, quais poderiam ser as pr\u00f3ximas rea\u00e7\u00f5es daquele Policial e seus h\u00e1bitos estranhos? Questionando esses fatos consigo mesma, enquanto, tamb\u00e9m, iniciava um processo de planejamento do que deveria ser feito a partir daquele momento, a jovem percebeu quando H\u00e9lio, simplesmente, come\u00e7ou a devorar as frutas sem ao menos retirar o papel alum\u00ednio, ou tampouco descascar a banana. Um cheiro forte de fruta velha espalhou-se no interior do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>&#8211; Que delicia!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201c\u00c0s vezes, a melhor op\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o saber a verdade\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trafego pioravam. A neblina, leitosa, ficava mais densa a cada quil\u00f4metro percorrido. N\u00e3o era poss\u00edvel ver a presen\u00e7a de outros carros pelo retrovisor, muito menos \u00e0 frente do ve\u00edculo. Era como se estivesse dirigindo em uma rodovia abandonada e silenciosa. Em seguida, a jovem percebeu que, logo \u00e0 frente, uma placa sinalizadora finalmente aparecera.<\/p>\n<p>\u201cCaralho, n\u00e3o aguento mais! Tomara que essa placa indique que falta pouco para chegar em Limeira\u201d \u2013 pensou, aflita e tremula. Nesse momento, H\u00e9lio esticou o bra\u00e7o e apanhou o comprovante do ped\u00e1gio, que estava no console do ve\u00edculo, o som das unhas arranhando o pl\u00e1stico. Quando encarou o verso do peda\u00e7o de papel, come\u00e7ou a gargalhar. &#8216;<\/p>\n<p>&#8211; O que foi? \u2013 Indagou B\u00e1rbara.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o foi nada. S\u00f3 estou vendo esse aviso de pessoa desaparecida, que costumam colocar nos recibos dos ped\u00e1gios.<\/p>\n<p>&#8211; O que tem de engra\u00e7ado nisso?<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 teve aquela sensa\u00e7\u00e3o de <em>D\u00e9j\u00e0 vu<\/em>? \u2013 Questionou H\u00e9lio, com a boca suja de fruta, novamente virando o rosto na dire\u00e7\u00e3o da mo\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Sim. Mas, voc\u00ea teve isso agora?<\/p>\n<p>&#8211; Tive, ao ver a foto dessa mo\u00e7a desaparecida.<\/p>\n<p>Os pelos do bra\u00e7o de B\u00e1rbara&nbsp;se arrepiaram, assim como acontece com um gato ao ver a aproxima\u00e7\u00e3o do cachorro. Logo, n\u00e3o aguentou e soltou a pergunta que soaria um tanto estranha.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea a conhece?<\/p>\n<p>&#8211; Sim, pois tenho quase certeza que ela j\u00e1 me deu carona, aqui nessa rodovia, no mesmo ped\u00e1gio que voc\u00ea me pegou. \u2013 Respondeu o policial, voltando a gargalhar.<\/p>\n<p>O medo de B\u00e1rbara&nbsp;chegou ao \u00e1pice. Sentiu vontade de argumentar aquela afirma\u00e7\u00e3o, mas o pavor era tanto que ela somente conseguia ficar em sil\u00eancio, com os olhos aflitos esperando a aproxima\u00e7\u00e3o da placa de sinaliza\u00e7\u00e3o, cuja presen\u00e7a havia sido detectada em meio ao horizonte branco, segundos atr\u00e1s. Mas o policial fez mais uma pergunta:<\/p>\n<p>&#8211; Quer ver a foto dela?<\/p>\n<p>A mo\u00e7a n\u00e3o respondeu. Permaneceu im\u00f3vel como um manequim mutilado e estocado em um galp\u00e3o abandonado. Ent\u00e3o, H\u00e9lio esticou o bra\u00e7o e levou o comprovante at\u00e9 a altura dos olhos dela, os quais se encheram de lagrimas de medo e p\u00e2nico quando, ao observar o verso do comprovante, por um segundo, observou que era a sua pr\u00f3pria imagem impressa naquele documento, com os seguintes dizeres:<\/p>\n<p><em>\u201cB\u00e1rbara Gon\u00e7alves Santos \u2013 Desaparecida desde 29\/12\/2013\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Quando o Policial abaixou a m\u00e3o, a jovem olhou novamente para fora do ve\u00edculo e conseguiu ler nitidamente o que a placa sinalizadora, de cor verde e letras brancas, dizia:<\/p>\n<p>\u201cVOC\u00ca N\u00c3O PASSA DE UMA VACA\u201d.<\/p>\n<p>Imediatamente, H\u00e9lio gritou. Ao virar o rosto para frente, a Jovem, ainda atordoada, viu uma Vaca atravessando a pista, caminhando da faixa do meio para a da esquerda. Entre o animal e o carro havia a distancia de mais ou menos setenta metros. Imediatamente, pisou no freio e jogou o ve\u00edculo para a faixa da direita (acostamento). No entanto, a Vaca se assustou com o barulho estridente da frenagem, deu meia volta e tamb\u00e9m correu na mesma dire\u00e7\u00e3o. Como o tempo de rea\u00e7\u00e3o foi adequando, o ve\u00edculo iria parar antes de acontecer uma colis\u00e3o. Mas n\u00e3o parou, pois quando faltavam poucos metros para as rodas frearem totalmente, o p\u00e9 descal\u00e7o e suado escorregou-se do pedal de freio, impulsionando o ve\u00edculo de forma violenta. O pai dela, realmente, tinha raz\u00e3o quando reclamava daquele h\u00e1bito. O para-choque frontal do Logan atingiu as pernas da Vaca, a qual teve o corpo deslocado para a parte superior do cap\u00f4. B\u00e1rbara e H\u00e9lio protegeram o rosto, como se fizessem um movimento ensaiado, quando perceberam que a montanha de carne e m\u00fasculos, coberta por pele marrom e branca, iria atingir o vidro do para-brisa&#8230; E atingiu em cheio, trincando-o e o deixando com o aspecto de uma teia de aranha.<\/p>\n<p>Em seguida, o carro parou e a Vaca caiu no ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cSe voc\u00ea observar a porta entreaberta, e a luz estiver acesa, ser\u00e1 o sinal de que eu estarei te esperando<\/strong>\u201d<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea est\u00e1 bem? \u2013 Perguntou H\u00e9lio. &#8211; Sim, apesar do susto, estou bem! &#8211; Certo. Voc\u00ea tem um tri\u00e2ngulo, no porta malas? &#8211; V\u00e1 colocar. Vou ligar o r\u00e1dio e pedir ajuda. Falando s\u00e9rio daquela forma, H\u00e9lio nem parecia ser o homem com os h\u00e1bitos estranhos de minutos atr\u00e1s, com unhas compridas e que comera as frutas podres ainda embaladas em papel alum\u00ednio.<\/p>\n<p>Mesmo assim, um pouco tonta, B\u00e1rbara desceu do ve\u00edculo, o p\u00e9 descal\u00e7o encostando-se ao asfalto gelado, e caminhou at\u00e9 a frente para contemplar o estrago.<\/p>\n<p>O Policial fez o mesmo.<\/p>\n<p>&#8211; Meu deus, coitada! \u2013 Exclamou a jovem, levando a m\u00e3o tremula \u00e0 boca. \u2013 Ela vai sobreviver? \u2013 Indagou em seguida.<\/p>\n<p>&#8211; Acho que n\u00e3o! Deve ter quebrado pelo menos duas patas. \u2013 Respondeu o Policial. \u2013 Mas n\u00e3o se preocupe com isso, vamos cuidar da nossa seguran\u00e7a. V\u00e1 colocar o tri\u00e2ngulo. \u2013 Completou.<\/p>\n<p>O animal tremia e se debatia. N\u00e3o possu\u00eda for\u00e7as para levantar e, a cada investida para erguer-se, jatos de sangue eram expelidos da boca, nariz, e anus. A batida n\u00e3o fora t\u00e3o violenta como aparentava de in\u00edcio, mas a vaca fora atingida de forma brutal e, certamente, sofrera hemorragias internas graves. J\u00e1 o ve\u00edculo, n\u00e3o obteve muitos danos: cap\u00f4 e para-choques frontais amassados; e o vidro para-brisa trincado, em toda a sua extens\u00e3o.<\/p>\n<p>B\u00e1rbara apanhou o tri\u00e2ngulo e dirigiu-se para a estrada, na parte de tr\u00e1s de onde ocorrera o acidente. Sabia que deveria colocar o sinal em uma dist\u00e2ncia de 20 ou 30 metros do ve\u00edculo. Enquanto caminhava, sentiu um cheiro ruim na neblina que pairava no ar. N\u00e3o era mais o saboroso aroma de suco de caju, que sentira naquela mesma manh\u00e3. Era um odor forte de flores, o mesmo que pode ser sentido nas salas onde pessoas mortas s\u00e3o veladas, antes de serem enterradas nos cemit\u00e9rios.<\/p>\n<p>O calafrio logo percorreu sua espinha, pois se lembrou do dia em que fora ao enterro de um de seus tios por parte de pai. Na ocasi\u00e3o, ela n\u00e3o visitou a sala do caix\u00e3o, por medo do cad\u00e1ver, mas quando entrou em casa, j\u00e1 durante a noite, sentiu o mesmo cheiro de velas e flores em seu quarto.<\/p>\n<p>Talvez por ter ficado impregnado na roupa&#8230; talvez.<\/p>\n<p>Chegando ao ponto adequando para colocar o objeto &#8211; o cheiro de rosas e flores aumentando &#8211; achou estranho o fato de n\u00e3o haver carros e caminh\u00f5es passando na rodovia. Nesse momento, lembrou- se da placa sinalizadora, que vira segundos antes de ocorrer o acidente, e ficou pensando em seu misterioso conte\u00fado: \u201cVOC\u00ca N\u00c3O PASSA DE UMA VACA\u201d. \u201cSer\u00e1 que estou louca? Estava escrito aquilo mesmo?\u201d \u2013 pensou, consigo mesma.<\/p>\n<p>Balan\u00e7ou a cabe\u00e7a, posicionou o tri\u00e2ngulo e, no momento em que retornava ao local do acidente, repugnando o fato de ter que falar com o Policial novamente, observou um objeto escuro, oriundo da frente do ve\u00edculo batido.<\/p>\n<p>&#8211; Que porra \u00e9 essa? \u2013 Exclamou, com voz alta. Acelerou os passos, com os p\u00e9s pelados, pisando em pequenas pedras, mantendo o olhar fixo na viagem que o objeto que acabara de ser arremessado fazia. Logo, o estranho corpo, com uma forma semelhante \u00e0 uma bola de futebol, fez uma curva no c\u00e9u e, obedecendo a lei da gravidade, iniciou a queda, de forma veloz. \u00c0 medida que \u201caquilo\u201d descia, B\u00e1rbara pode perceber o surgimento de melhores detalhes, os quais permitiram a conclus\u00e3o sobre o que se tratava. Mas, a constata\u00e7\u00e3o s\u00f3 veio quando o misterioso item finalmente atingiu o ch\u00e3o, quicando: era a cabe\u00e7a da vaca atropelada.<\/p>\n<p>&#8211; Puta que pariu! Vai se foder! \u2013 Gritou B\u00e1rbara, levando as duas m\u00e3os \u00e0 testa, quando viu que o objeto arremessado violentamente, tratava-se, na verdade, da cabe\u00e7a do animal rec\u00e9m-atropelado.<\/p>\n<p>Aproximou-se de forma discreta, contendo a \u00e2nsia de v\u00f4mito que, somada \u00e0 recente vis\u00e3o do Policial, j\u00e1 era dif\u00edcil de ser contida. Chegando perto, pode analisar o estrago. A boca ainda estava aberta, e a l\u00edngua comprida, cor de rosa, expressava os \u00faltimos sentimentos de dor que o animal havia sentido. A jovem encarou o ve\u00edculo \u00e0 frente, cerca de dez metros, e n\u00e3o viu sinais da presen\u00e7a de H\u00e9lio. Apenas o sil\u00eancio, a neblina, e o forte cheiro de rosas de vel\u00f3rio, faziam companhia a ela. Ent\u00e3o, mesmo temerosa, decidiu que deveria ir \u00e0 frente do carro.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e9lio? Voc\u00ea est\u00e1 ai? O que houve? \u2013 Indagou, mas n\u00e3o houve resposta.<\/p>\n<p>Quando faltavam poucos metros para o local do acidente, acelerou os passos e rapidamente chegou \u00e0 frente do Logan. O Policial estava l\u00e1, totalmente nu, posicionado de quatro, como se fosse um cachorro,&nbsp;com a boca sobre o pesco\u00e7o decepado do animal atropelado. Logo em seguida, levantou o olhar e encarou a Jovem.<\/p>\n<p>Enquanto ele o fazia, ao mesmo tempo sugava o sangue, de forma sonora, de uma das art\u00e9rias que saia do pesco\u00e7o destro\u00e7ado da vaca. A imagem era como a de uma crian\u00e7a sapeca comendo um prato de macarronada, usando os l\u00e1bios para puxar um fio de macarr\u00e3o, com o rosto lambuzado de molho vermelho. Em seguida, abriu a boca, largando a art\u00e9ria grossa, que caio ao lado espirrando sangue, e sorriu para Barbara, ao mesmo tempo em que, com uma das m\u00e3os \u2013 as unhas grandes e pontudas \u2013 fez um gesto querendo dizer: &#8211; Quer um pouco tamb\u00e9m? Questionou, sorrindo um sorriso sem gra\u00e7a no rosto p\u00e1lido, bem barbeado e, agora, sujo de sangue.<\/p>\n<p>Imediatamente, uma mancha escura e quente surgiu e come\u00e7ou a crescer, sobre o jeans, no meio das pernas tr\u00eamulas de Barbara. Em seguida, a rea\u00e7\u00e3o da jovem foi r\u00e1pida e instintiva. Passou a correr na dire\u00e7\u00e3o contraria, onde o tri\u00e2ngulo fora posicionado. O p\u00e2nico agia em seu corpo como se um alarme primitivo de prote\u00e7\u00e3o fosse soado. Sabia que, a partir daquele momento, deveria lutar pela pr\u00f3pria vida. Olhou para tr\u00e1s e n\u00e3o viu H\u00e9lio correndo. De inicio, achou que ele largaria o pesco\u00e7o da Vaca e a perseguiria, como uma On\u00e7a faz ao ver a presa indefesa. Ent\u00e3o, concentrou-se em correr mais r\u00e1pido, apesar dos p\u00e9s fr\u00e1geis, descal\u00e7os sobre o asfalto irregular da rodovia.<\/p>\n<p>Naquele momento, lembrou-se do pai, lhe dando conselhos: \u201c- Filha, eu j\u00e1 estou cansado de te falar, nunca dirija com os p\u00e9s pelados\u201d. Inevitavelmente, sentiu saudades da sua antiga casa, na \u00e9poca em que todos moravam juntos, e a separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o existia. Segundos depois, virou o rosto para tr\u00e1s e n\u00e3o conseguiu ver nada al\u00e9m da traseira do Logan. Aparentemente, o Policial resolvera permanecer sugando o sangue pastoso da vaca morta. Ent\u00e3o, observou \u00e0 frente, at\u00e9 onde os olhos enxergavam, e desejou que um carro, um caminh\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo uma moto, passasse por ali, naquele momento.<\/p>\n<p>Mas o sil\u00eancio e a solid\u00e3o eram mortais. Passou pelo tri\u00e2ngulo e continuou \u00e0 frente, correndo. At\u00e9 que sentiu uma fisgada na sola do p\u00e9 direito: havia pisado em uma pedra pontiaguda.<\/p>\n<p>&#8211; Droga! Era s\u00f3 o que me faltava!<\/p>\n<p>Por causa do leve ferimento no p\u00e9, deixou de correr e passou a andar de forma ofegante, incomodada com o calor \u00famido e ardido no meio das pernas, em raz\u00e3o da urina quente, concentrada e alaranjada (a primeira do dia) que havia escorrido por toda a extens\u00e3o das coxas at\u00e9 os joelhos. Olhou para tr\u00e1s, novamente, e j\u00e1 n\u00e3o podia ver o Logan estacionado, nem o tri\u00e2ngulo e, muito menos, o Policial. As \u00fanicas coisas vis\u00edveis eram a cor cinza, sebosa de \u00f3leo, do asfalto da rodovia, e o branco fosco da neblina no ar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, continuou mancando, desengon\u00e7ada. O sil\u00eancio era uma agulha que perfurava os t\u00edmpanos, e o cheiro de rosas irritava as vias a\u00e9reas, dificultando a respira\u00e7\u00e3o. Percebeu que a densidade da neblina estava aumentando de forma gradativa.<\/p>\n<p>Logo, a sensa\u00e7\u00e3o de estar perdida se fez presente, acompanhada do medo de ser atropelada por um motorista imprudente. Dessa forma, dirigiu-se para o acostamento da rodovia e encontrou uma pequena passagem na cerca que havia ap\u00f3s a sarjeta.<\/p>\n<p>Aproximou-se e verificou a trilha que levava at\u00e9 uma resid\u00eancia. Sem tardar, acessou o pequeno caminho, se sentindo aliviada pela esperan\u00e7a de poder pedir ajuda.<\/p>\n<p>Durante o trajeto, se questionou: \u201cQue porra uma casa dessas est\u00e1 fazendo aqui, no meio do nada?\u201d. E tudo ficou mais estranho quando se aproximou da entrada. Para B\u00e1rbara, o aspecto daquele sobrado, era o mesmo do que ela morava, com os pais, em S\u00e3o Paulo: o port\u00e3o grande da garagem, e o menor, social, ambos feitos em alum\u00ednio; e a pequena varanda no andar superior. Era exatamente uma r\u00e9plica da resid\u00eancia de sua fam\u00edlia. E o detalhe que confirmou essa impress\u00e3o foi o n\u00famero, acima do olho m\u00e1gico, praga lan\u00e7ada por uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o pode ser! \u2013 Argumentou para si mesma, com os olhos (duas pedras de jade) arregalados. Tocou a ma\u00e7aneta, gelada, do port\u00e3o social e sentiu o corpo estremecer. Naquele momento, imaginou estar sonhando, pois n\u00e3o havia l\u00f3gica na situa\u00e7\u00e3o. Conferiu que o port\u00e3o n\u00e3o estava trancado. Logo, abriu e entrou. O interior, garagem e acesso para a sala, tamb\u00e9m era semelhante ao de sua casa. Mesmo estando petrificada, achando que poderia estar vivendo um pesadelo, decidiu ir adiante.<\/p>\n<p>Nesse momento, escutou nitidamente o que parecia ser o som oriundo de duas pessoas fazendo sexo.<\/p>\n<p>O prazer proporcionando as mesas express\u00f5es e gemidos que seriam expressos em uma situa\u00e7\u00e3o de dor \u2013 gritos abafados &#8211; e o barulho de corpos se chocando de forma, sentiu o cora\u00e7\u00e3o doer, pois reconheceu aquelas vozes, as quais imploravam, de forma insaci\u00e1vel, por mais prazer, por mais carne.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, abriu a porta da sala, a qual rangeu, e viu um homem sentado em um sof\u00e1 com uma jovem loira, de pernas grossas, sobre ele. Nesse momento, essas duas pessoas, ambas usando mascaras, viraram os rostos e olharam na dire\u00e7\u00e3o da porta. &#8211; Nossa, que estranho! Nem est\u00e1 ventando e a porta abriu! \u2013 Disse &#8211; Meu Deus! Quase tive um infarto! Achei que fosse sua m\u00e3e! \u2013 Falou o homem, ofegante,&nbsp;ainda sentado no sof\u00e1. B\u00e1rbara permaneceu im\u00f3vel e apenas observou quando a mulher nua se levantou, caminhou pela sala e, como se n\u00e3o houvesse ningu\u00e9m, fechou a porta com uma batida seca e mal educada. Naquele momento, ao lado de fora, a jovem reconheceu e entendeu o que estava acontecendo: se lembrou da \u00faltima vez que fizera sexo no sof\u00e1 da casa, com o pr\u00f3prio pai, na noite anterior.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, conseguiu prever o que iria ocorrer na sequencia. Olhou para tr\u00e1s e viu sua m\u00e3e entrando pelo port\u00e3o social, correndo, desesperada, indo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta. Em raz\u00e3o de saber o desfecho tr\u00e1gico daquela situa\u00e7\u00e3o, tentou impedir, mas n\u00e3o adiantou: foi transpassada como se sua presen\u00e7a n\u00e3o existisse. Logo, passou a, apenas, acompanhar os fatos da sua pr\u00f3pria vida, os seus pr\u00f3prios pecados.<\/p>\n<p>Que porra \u00e9 essa que voc\u00eas est\u00e3o fazendo? &#8211; Sua vaca! Eu sabia que isso estava acontecendo! Voc\u00ea, sua piranhazinha, n\u00e3o passa de uma vaca, e com certeza vai pro inferno!<\/p>\n<p>&#8211; Cala a boca, vadia. Vai embora daqui! \u2013 Disse o mascarado.<\/p>\n<p>&#8211; Cala a boca uma porra! Mostra a cara de safado, seu filho da puta! Est\u00e1 com vergonha de comer sua filha? N\u00e3o tem coragem de foder ela, sabendo quem \u00e9? Eu tinha certeza&#8230; O tempo todo eu sabia.<\/p>\n<p>O homem se levantou, e partiu com f\u00faria na dire\u00e7\u00e3o da ex-mulher, agarrando-a pelo pesco\u00e7o e derrubando-a no ch\u00e3o. Do sof\u00e1, a mo\u00e7a mascarada gritava para que a briga parasse. Enquanto isso, da soleira da porta, Barbara acompanhava a movimenta\u00e7\u00e3o, sem ser notada e sem poder interagir. Logo, ela viu quando seu pai apanhou o pesado vaso de argila que estava sobre a mesa de centro e, com apenas um golpe preciso e violento, estourou a testa da mulher. O vazo se quebrou, assim como o cr\u00e2nio, expulsando esguichos de sangue e peda\u00e7os de &#8220;dura-m\u00e1ter&#8221;.<\/p>\n<p>O &#8220;assassino&#8221; se levantou, sem tirar a m\u00e1scara. Virou-se para a filha, que chorava de forma desesperada, ainda nua, sentada no sof\u00e1.<\/p>\n<p>&#8211; Pegue o carro, agora. Sem questionar nada. Dirija at\u00e9 Ribeir\u00e3o Preto e s\u00f3 pare quando chegar na casa da v\u00f3. &#8211; Mas e voc\u00ea? Vai fazer o que?<\/p>\n<p>&#8211; Cala a boca voc\u00ea tamb\u00e9m! N\u00e3o questione nada e apenas fa\u00e7a o que eu falei. Vou ficar aqui e dar um jeito nisso tudo!<\/p>\n<p>B\u00e1rbara, que apenas assistia a cena, como uma espectadora VIP, se desesperou. A realidade desceu em seu corpo como \u00e1gua gelada. Deu meia volta e, ignorando o p\u00e9 ferido, saiu correndo da garagem da casa, indo novamente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 rodovia. Quando chegou ao lado de fora, sentiu uma sensa\u00e7\u00e3o estranha e muito incomoda nos p\u00e9s. Abaixou a cabe\u00e7a e percebeu que, no lugar de suas duas pernas, havia duas patas de vaca. Com cascos fendidos. Ficou aterrorizada. Tentou gritar, mas no lugar de um grito humano sua boca produziu um mugido, como o de ruminante.<\/p>\n<p>Sentiu uma dor forte nas costas e costelas. N\u00e3o conseguiu suportar o pr\u00f3prio peso do corpo e caiu, ficando de quatro. Nesse momento, viu que seus bra\u00e7os e m\u00e3os tamb\u00e9m haviam desaparecido e, no lugar, patas dianteiras haviam crescido. Agora, ela n\u00e3o mais corria. Mas sim, trotava no meio da rodovia, mugindo e se contorcendo, sentindo a cabe\u00e7a pesada. At\u00e9 que escutou o som estridente, provocado pela freada de um ve\u00edculo que deveria estar em alta velocidade. Assustada, deu meia volta, desajeitada, em raz\u00e3o da inexperi\u00eancia com as quatro patas, e tentou voltar para o acostamento da rodovia. Sentiu uma pancada forte e foi arremessada para a parte superior do capo, batendo violentamente contra o vidro para-brisa.<\/p>\n<p>Em seguida, o ve\u00edculo \u2013 um Renault Logan de cor preta \u2013 parou completamente. \u201cEla\u201d caiu no ch\u00e3o: viva, mas agonizando. Segundos depois, as portas dianteiras do Logan foram abertas. No lado do motorista desceu uma jovem Loira, vestindo cal\u00e7a jeans e camiseta amarela: com os p\u00e9s, brancos, descal\u00e7os. No lado do passageiro, desceu um homem usando uma farda da Policia Militar.<\/p>\n<p>&#8211; Meu deus, coitada! \u2013 Exclamou a jovem, levando a m\u00e3o tremula \u00e0 boca. \u2013 Ela vai sobreviver? \u2013 Indagou em seguida.<\/p>\n<p>&#8211; Acho que n\u00e3o! Deve ter quebrado pelo menos duas patas. \u2013 Respondeu o Policial.<\/p>\n<p>\u2013 Mas n\u00e3o se preocupe com isso, vamos cuidar da nossa seguran\u00e7a. V\u00e1 colocar o tri\u00e2ngulo. \u2013 Completou.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a, descal\u00e7a, abriu o porta-malas do ve\u00edculo, apanhou o tri\u00e2ngulo e caminhou na dire\u00e7\u00e3o oposta da rodovia, at\u00e9 sua silhueta quase desaparecer em meio \u00e0 neblina.<\/p>\n<p>Enquanto isso, B\u00e1rbara, ou aquilo no que ela havia se transformado, tentava se levantar do ch\u00e3o. Mas as patas quebradas a impediam de faz\u00ea-lo, ao mesmo tempo em que por\u00e7\u00f5es generosas de sangue eram expulsas da boca, nariz, e anus, em raz\u00e3o das prov\u00e1veis hemorragias internas, provocadas pela batida.<\/p>\n<p>O Policial, por sua vez, observava e sorria com o rosto p\u00e1lido, ele ent\u00e3o retirou toda a farda, ficou nu e se abaixou. N\u00e3o possu\u00eda uma faca, mas isso n\u00e3o o impediu de lamber as unhas grandes, afi\u00e1-las por alguns segundos nos pr\u00f3prios&nbsp;dentes, para depois acariciar o pesco\u00e7o do animal.<\/p>\n<p>&#8211; Desculpe. Aquelas frutas que voc\u00ea me deu n\u00e3o foram suficientes. Ainda estou com muita fome!<\/p>\n<p>E a cabe\u00e7a foi separada do resto do corpo e arremessada ao c\u00e9u.<\/p>\n<p>FIM<\/p>\n<p><strong><em>Para conhecer o autor deste conto <a href=\"http:\/\/www.recantodasletras.com.br\/contosdeterror\/5187447\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">clique aqui<\/a>.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O casal fazia sexo, de forma apressada, na sala da resid\u00eancia. Ambos usavam m\u00e1scaras que escondiam totalmente os rostos. 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