{"id":108,"date":"2014-05-16T01:45:40","date_gmt":"2014-05-16T04:45:40","guid":{"rendered":"https:\/\/xplastic.com.br\/bofinhas-e-homens-trans\/"},"modified":"2020-01-03T22:35:50","modified_gmt":"2020-01-04T01:35:50","slug":"bofinhas-e-homens-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/xplastic.com.br\/blog\/bofinhas-e-homens-trans\/","title":{"rendered":"Me vesti de bofinha e conheci homens trans"},"content":{"rendered":"<p><strong>Bofinhas e homens trans n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. Para deixar isso bem claro, entrevistei militantes, uma dupla sertaneja e at\u00e9 fiz um rol\u00ea vestida como uma bofinha<\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sapatona, sapa, caminhoneira e bofinha<\/strong>. Alguns dos termos antes usados para ofender mulheres l\u00e9sbicas masculinizadas ou os homens trans, foram sendo incorporados por elas e eles, e hoje at\u00e9 representam a identidade de algumas pessoas. \u00c9 s\u00f3 buscar no <strong>Facebook<\/strong> para encontrar diversos <strong>grupos<\/strong> sobre o assunto.<\/p>\n<div id=\"attachment_10515\" style=\"width: 697px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10515\" class=\"wp-image-10515 size-full\" src=\"https:\/\/d1gjpjrpveqnfr.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/grupos-no-facebook-bofinhas-2.png\" width=\"687\" height=\"348\" \/><p id=\"caption-attachment-10515\" class=\"wp-caption-text\">Grupos mostram que os velhos xingamentos j\u00e1 n\u00e3o funcionam t\u00e3o bem&#8230;<\/p><\/div>\n<p>S\u00e3o mulheres homossexuais que vestiram a carapu\u00e7a, para que a ofensa do opressor se tornasse\u00a0<strong>arma pol\u00edtica<\/strong>. Eu, por uma noite,\u00a0<strong>me vesti de bofinha\u00a0<\/strong>e\u00a0dei um passeio de m\u00e3os dadas com um homem e depois com uma mulher, para ver como as pessoas nos encaravam. Meu relato est\u00e1 no \u00faltimo t\u00f3pico desta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Outra parte das l\u00e9sbicas masculinizadas e dos homens trans, no entanto, n\u00e3o se sente debaixo do guarda-chuva que esses termos oferecem, a exemplo do homem trans <a href=\"http:\/\/jacktyller-transicao.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jackson Tyller<\/a>: &#8220;eu n\u00e3o gosto da palavra bofinho. <strong>Acho grosseiro<\/strong>, n\u00e3o me representa e penso que n\u00e3o \u00e9 o termo que se encaixa a um <strong>trans homem<\/strong>. Existem sim homens\u00a0trans que n\u00e3o querem fazer todas as cirurgias, mas <strong>isso n\u00e3o nos faz menos homens<\/strong>&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.buckangel.com\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Buck Angel<\/a>, quem nunca?).<\/p>\n<p>Apesar de serem muitas as possibilidades de identidades g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual, as <strong>mulheres masculinizadas<\/strong> s\u00e3o frequentemente colocadas no mesmo balaio dos homens trans. O debate\u00a0<strong>&#8220;travesti ou trans?&#8221;<\/strong> est\u00e1 muito mais na boca do povo do que <strong>&#8220;mulher masculinizada ou homem trans?&#8221;<\/strong>. Diferenciar, nesse caso, n\u00e3o deve servir para fiscalizar o que cada um tem no meio das pernas ou faz entre quatro paredes, mas sim para aumentar os debates sobre <strong>representatividade,\u00a0diversidade<\/strong>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/ensaiosdegenero.wordpress.com\/2012\/05\/01\/o-conceito-de-genero-por-judith-butler-a-questao-da-performatividade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>performatividade de g\u00eanero<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea teve vontade de ser cis?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_10510\" style=\"width: 835px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10510\" class=\"  wp-image-10510 size-full\" src=\"https:\/\/d1gjpjrpveqnfr.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/jackson-tyller.png\" width=\"825\" height=\"333\" \/><p id=\"caption-attachment-10510\" class=\"wp-caption-text\">Jackson Tyller, esfregando sua lindeza na cara da sociedade transfobica<\/p><\/div>\n<p><strong>Cisg\u00eaneros<\/strong> s\u00e3o todos os que se identificam com o mesmo g\u00eanero do nascimento, ou seja, pessoas n\u00e3o-trans. Uma l\u00e9sbica bofinha \u00e9 uma mulher cis, porque, apesar do estilo masculino, ela ainda se sente bem no corpo de mulher. J\u00e1 um trans, seja homem ou mulher, nasceu com o &#8220;corpo errado&#8221;. E provavelmente passar\u00e1 a vida ouvindo a pergunta em negrito acima deste par\u00e1grafo, com a palavra trans no lugar de cis. Mas voc\u00ea, pessoa cis, j\u00e1 imaginou que saco seria ter que responder quando voc\u00ea <strong>escolheu<\/strong> ser desta forma? Isso porque devemos pensar que n\u00e3o \u00e9 exatamente uma escolha&#8230;<\/p>\n<p>O relato de Jackson ajuda a entender que <strong>escolha de g\u00eanero<\/strong> ou\u00a0<strong>op\u00e7\u00e3o sexual<\/strong>\u00a0 s\u00e3o express\u00f5es bastante imprecisas. &#8220;Ningu\u00e9m tem vontade de ser trans. No mundo da transexualidade, n\u00f3s nos descobrimos trans. S\u00f3 notei mesmo que <strong>havia algo errado comigo<\/strong>\u00a0quando eu estava na pr\u00e9-escola. Era um dia de muito calor e a professora disse que as meninas podiam fazer um lacinho com a blusa e os meninos podiam p\u00f4r a camisa a tr\u00e1s da cabe\u00e7a, deixando o peito todo exposto. E eu queria colocar a blusa por tr\u00e1s da cabe\u00e7a&#8230; Foi ali que eu passei pelo primeiro <strong>constrangimento<\/strong>. A professora me chamou a aten\u00e7\u00e3o, dizendo que eu era menina e tinha que fazer o lacinho&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Mesmo na inoc\u00eancia de crian\u00e7a, me sentia um garoto e n\u00e3o entendia porque me tratavam como uma menina&#8221; &#8211; Jackson<\/p><\/blockquote>\n<p>A <strong>transexualidade masculina<\/strong> \u00e9 tabu. Tanto que Jackson passou anos sem saber que aquilo o que ele sempre foi existia para o mundo com esse nome. &#8220;S\u00f3 descobri o que era transexualidade h\u00e1 dois anos e foi a\u00ed que me encontrei. Anos antes, quando me assumi para minha m\u00e3e, ela me levou a uma <strong>psic\u00f3loga<\/strong>, achando que isso ia me curar. <strong>Soube que a psic\u00f3loga estava de compl\u00f4 com a minha fam\u00edlia, contando tudo a eles o que eu revelava na sess\u00e3o, sendo que ela me dizia ser confidencial.<\/strong> At\u00e9 um dia que ouvi uma conversa da minha fam\u00edlia de que iriam me internar. Ent\u00e3o fugi de casa, passei quase dez anos fora. Percebi que eu n\u00e3o era uma pessoa estranha, pois at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o me encaixava em nada, at\u00e9 entender que eu sou um homem, mas estava no <strong>corpo errado e<\/strong>\u00a0que eu poderia fazer tratamento pra consertar isso&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Tratamento pelo SUS<\/strong><\/p>\n<p>A falta de informa\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia do <strong>tratamento hormonal<\/strong> atrav\u00e9s do SUS e de como ele acontece \u00e9 outro grande empecilho para os homens trans que querem dar esse passo. &#8220;Eu fiquei sabendo que eu poderia fazer o tratamento hormonal s\u00f3 tr\u00eas meses antes de eu come\u00e7ar. Eu j\u00e1 tinha visto algo relacionado em um programa americano, mas n\u00e3o tinha entendido muito bem e acabei deixando para l\u00e1, pensando que isso custaria muito <strong>dinheiro<\/strong> para fazer. At\u00e9 que um dia vi no programa da Mar\u00edlia Gabriela uma entrevista com o <a href=\"http:\/\/jwnescritor.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Nery<\/a>\u00a0e fiquei encantado. N\u00e3o consegui acreditar que aquele homem barbado nasceu mulher. E nesse momento me deu um click.\u00a0Passei dias e noites pesquisando, quase nem dormia mais&#8221;, conta Jackson.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Tive que ensinar muitos profissionais de sa\u00fade sobre transexualidade&#8221; &#8211; Jackson<\/p><\/blockquote>\n<p>O <strong>tratamento com testosterona<\/strong> produz mudan\u00e7as importantes para os homens trans. No canal de Jackson no Youtube, em que ele posta m\u00eas a m\u00eas sua transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel notar a voz mais grossa j\u00e1 no primeiro m\u00eas, um aumento progressivo de barba, al\u00e9m de mudan\u00e7as no formato do rosto. Atualmente, mais de um ano depois do in\u00edcio do tratamento, todos que o veem pela primeira vez <strong>enxergam um homem<\/strong>: &#8220;eu tive uma dificuldade imensa em descobrir como me tratar, ent\u00e3o queria muito dividir isso e poder mostrar as minhas mudan\u00e7as. <strong>Ser por fora o homem que sempre fui \u00e9 uma grande conquista<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, Jackson precisou ter\u00a0<strong>paci\u00eancia<\/strong>\u00a0com o SUS. &#8220;Passei com o cl\u00ednico geral e pedi que me encaminhasse para o endocrinologista e um m\u00eas depois fui chamado para a consulta. Na cidade em que eu morava, no interior de S\u00e3o Paulo, tive que ensinar muitos profissionais sobre transexualidade, principalmente a psic\u00f3loga e o psiquiatra que fizeram o acompanhamento. Isso era um tabu pra eles, e noto que ainda \u00e9 pra muitos&#8221;.<\/p>\n<p>A <strong>cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 um servi\u00e7o oferecido pela rede p\u00fablica. No entanto, \u00e9 algo bem mais complicado para os homens trans do que para as mulheres. Para um homem trans ter um p\u00eanis, h\u00e1 duas vias. Uma delas \u00e9 a <strong>metoidioplastia<\/strong>, que alia o tratamento hormonal com uma cirurgia. O crescimento do clit\u00f3ris, que ser\u00e1 transformado em p\u00eanis, \u00e9 estimulado pela testosterona, e a opera\u00e7\u00e3o constr\u00f3i nele um canal que se liga \u00e0 uretra.<\/p>\n<p>A outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 a <strong>neofaloplastia<\/strong>, que implanta um p\u00eanis feito da pele e do tecido vascularizado do paciente. As duas op\u00e7\u00f5es criam um saco escrotal a partir dos grandes l\u00e1bios e test\u00edculos feitos com silicone. Essa op\u00e7\u00e3o permite que o paciente tenha um p\u00eanis maior, mas as chances de <strong>infec\u00e7\u00e3o e cicatrizes<\/strong> s\u00e3o maiores. No Brasil, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel procurar por essas cirurgias nos seguintes hospitais: Universidade de S\u00e3o Paulo (USP),\u00a0Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Al\u00e9m da redesigna\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o sexual, tamb\u00e9m s\u00e3o feitos procedimentos como <strong>retirada das mamas<\/strong>, cirurgias no rosto para acentuar formas masculinas e interven\u00e7\u00f5es nas cordas vocais.<\/p>\n<p><strong>Milit\u00e2ncia al\u00e9m da superf\u00edcie<\/strong><\/p>\n<p>As conquistas do <strong>movimento LGBT<\/strong> n\u00e3o podem ser negadas, mas ainda s\u00e3o necess\u00e1rios avan\u00e7os para que homens trans estejam mais <strong>empoderados.<\/strong> Entrevistei o militante trans <a href=\"http:\/\/www.nlucon.com\/search\/label\/Fora%20da%20Caixa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Uchoa<\/a>, um dos coordenadores regionais do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/institutoibrat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>IBRAT<\/strong><\/a> (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades).\u00a0&#8220;A milit\u00e2ncia \u00e9 totalmente <strong>cisnormativa<\/strong>. N\u00e3o somos respeitados pela nossa identidade de g\u00eanero e constantemente temos que provar a tal <strong>masculinidade<\/strong> desejada por eles e pela sociedade. Muitos gays acabam refletindo o pensamento de uma <strong>sociedade faloc\u00eantrica<\/strong>, ou seja, s\u00f3 identificam algu\u00e9m como homem, se possuir um p\u00eanis. Caso contr\u00e1rio, ser\u00e1 sempre uma l\u00e9sbica masculinizada. Muitos dizem que n\u00e3o fazemos parte desse movimento&#8221;.<\/p>\n<p>A <strong>parada LGBT<\/strong>, que \u00e9 mais conhecida como <strong>parada gay<\/strong>, passou quase 20 anos sem ter como pauta a causa trans em um dos seus subtemas. Apenas em 2014 isso aconteceu: &#8220;s\u00f3 foi feito ap\u00f3s muitas reuni\u00f5es na APOGLBT SP (Associa\u00e7\u00e3o da parada GLBT de SP). Eles acreditavam que s\u00f3 existia homofobia e n\u00e3o <strong>transfobia<\/strong>, porque confundem identidade de g\u00eanero com orienta\u00e7\u00e3o sexual&#8221;, diz Luiz.<\/p>\n<p>Muitas mudan\u00e7as s\u00e3o necess\u00e1rias para que homens e mulheres trans se livrem dos pequenos e grandes <strong>sofrimentos <\/strong>di\u00e1rios. Desburocratizar o processo judicial para que o nome social, em vez do <strong>nome de nascimento,<\/strong>\u00a0esteja em todos os documentos, planejar uma pol\u00edtica nacional de sa\u00fade para os trans, garantir a <strong>empregabilidade<\/strong> e preservar a integridade no <strong>sistema prisional<\/strong> s\u00e3o algumas das lutas atuais.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Tendo em vista que os homens trans s\u00e3o tamb\u00e9m v\u00edtimas das imposi\u00e7\u00f5es do machismo, al\u00e9m do movimento LGBT, o ideal seria que o feminismo tamb\u00e9m os abarcasse. Devemos ponderar que os homens n\u00e3o s\u00e3o e nem devem ser protagonistas do feminismo, mas ter nascido mulher e ser um homem trans \u00e9 um processo que n\u00e3o ocorre sem as cicatrizes da <strong>opress\u00e3o de g\u00eanero<\/strong>. No entanto, eles padecem com a falta de solidariedade do movimento. De acordo com Luiz, a maioria ddas feministas n\u00e3o os ap\u00f3ia: &#8220;algumas encaram o homem trans como um ser que as envergonha, por associarem a opress\u00e3o com a figura do homem. O movimento dos homens trans n\u00e3o \u00e9 a favor do machismo ou qualquer forma de opress\u00e3o. Gostaria de propor \u00e0s feministas que conhecem mais a causa trans, para termos mais <strong>uni\u00e3o de for\u00e7as<\/strong>&#8220;.<\/span><\/p>\n<p><strong>As Bofinhas<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_10512\" style=\"width: 582px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10512\" class=\"wp-image-10512 size-full\" src=\"https:\/\/d1gjpjrpveqnfr.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/8753303231_6e89a6181d_b.jpg\" width=\"572\" height=\"480\" \/><p id=\"caption-attachment-10512\" class=\"wp-caption-text\">Eduarda e Aline, da dupla sertaneja As Bofinhas<\/p><\/div>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o sou trans. Por mais masculina que eu seja, eu gosto de ser mulher e n\u00e3o quero ter corpo de homem&#8221;, diz Aline Criscolin, uma das integrantes da <strong>dupla sertaneja<\/strong> As Bofinhas. Eduarda Maria, sua parceira de dupla e idealizadora do projeto, tem orgulho do t\u00edtulo: &#8220;me sinto o machinho da rela\u00e7\u00e3o, mas na hora H rola de tudo, adoro ser uma bofinha&#8221;. Elas estouraram ano passado e ficaram conhecidas como a <strong>primeira dupla l\u00e9sbica de sertanejo universit\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n<p>Mesmo que voc\u00ea n\u00e3o curta o estilo, ser\u00e1 uma \u00f3tima experi\u00eancia passar no Youtube e ouvir os hits <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sd_tWRq5uOI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Saindo do Arm\u00e1rio<\/a> (cujo tema \u00e9 \u00f3bvio) e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6QpXgh_74k4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Surra de L\u00edngua<\/a> (sobre viol\u00eancia dom\u00e9stica e&#8230; surra de l\u00edngua). Claro que em um meio musical conservador, mis\u00f3gino e lesbof\u00f3bico, seria imposs\u00edvel que elas fossem 100% aceitas: &#8220;teve gente do sertanejo que chegou a me ligar dizendo que n\u00f3s est\u00e1vamos denegrindo a imagem da classe, mas no fundo j\u00e1 sabia que isso ia acontecer&#8221;, diz Eduarda.<\/p>\n<blockquote><p>Hey, mach\u00e3o, pare de bater (&#8230;)\/ Fa\u00e7a como as Bofinhas, elas v\u00e3o enlouquecer\/ A gente bate com a l\u00edngua e elas gritam de prazer &#8211; Trecho da can\u00e7\u00e3o Surra de L\u00edngua<\/p><\/blockquote>\n<p>Ela tamb\u00e9m contou que a fama trouxe muitas meninas pedindo conselhos \u00e0 dupla: &#8220;quando me perguntam o que fazer, eu recomendo ser <strong>maior de idade <\/strong>para se assumir, chamar os pais pra uma conversa s\u00e9ria e n\u00e3o permitir que terceiros se envolvam na sua escolha. Mesmo minha m\u00e3e sendo contra, eu fui \u00e0 luta e logo depois ela aceitou. Meu pai foi mais tranquilo, <strong>ele at\u00e9 me parabenizou por gostar de mulher<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p>As f\u00e3s l\u00e9sbicas da dupla n\u00e3o fazem cerim\u00f4nia nos xavecos.&#8221;Depois da fama, o <strong>ass\u00e9dio<\/strong> aumentou bastante. Eu ainda n\u00e3o me envolvi com nenhuma f\u00e3, mas se tiver que acontecer, n\u00e3o vejo nada de mais&#8221;, diz Eduarda. Aline \u00e9 mais reservada: &#8220;eu prefiro preservar o lado profissional. Mas se eu gostar muito da pessoa e perceber que quero ficar de fato com ela, eu me envolveria sim&#8221;.<\/p>\n<p><strong><span style=\"line-height: 1.5em;\">A walk on the wild side<\/span><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_10522\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10522\" class=\"wp-image-10522 size-full\" src=\"https:\/\/d1gjpjrpveqnfr.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Bofinha-e-namorada.jpg\" width=\"640\" height=\"427\" \/><p id=\"caption-attachment-10522\" class=\"wp-caption-text\">Eu e minha amiga e namorada antropol\u00f3gica<\/p><\/div>\n<p>A rep\u00f3rter que vos fala decidiu dar um rol\u00ea pelo centro de S\u00e3o Paulo vestida como uma bofinha. Sou uma mulher cis e uso roupas de acordo com o que a sociedade acha que devo usar (na verdade mais ou menos, tenho dias mais rebeldes). De qualquer forma, nunca causei grandes estranhamentos.<\/p>\n<p>Vesti uma camisa xadrez verde escuro, uma cal\u00e7a jeans larga e t\u00eanis estilo canoa. O mais dif\u00edcil foi esconder meu cabelo comprido. Usei uma touca de l\u00e3 cinza estilosa, dessas mais larguinhas, para conseguir fazer um coque sem parecer que eu estava com um calombo na cabe\u00e7a. Como acess\u00f3rio, mantive s\u00f3 meu piercing no nariz.<\/p>\n<p>Era noite e <strong>comecei o passeio pelo Shopping Light<\/strong>, que at\u00e9 onde sei \u00e9 point de travestis. Quando entrei no banheiro feminino, ele estava vazio, mas ao sair da cabine, havia uma fila de mulheres esperando. Todas me olharam um pouco, mas uma senhora mais velha fixou o olhar bem fundo no meu e pareceu desprezar meu visual.<\/p>\n<p>Do lado de fora, meu namorado, que estava ali para encenar o papel de<strong> &#8220;homem h\u00e9tero meio ogro que namora uma bofinha&#8221;<\/strong>, me esperava. Nos beijamos e fomos comer na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o. Poucas pessoas nos encararam. Quem mais se destacou foi um homem de um grupo de homossexuais que conversava perto da nossa mesa e que <strong>ficou nos olhando meio espantado<\/strong> por um tempo.<\/p>\n<p>Embarcamos no metr\u00f4 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Avenida Paulista. Encostei perto da porta do trem e ficamos em p\u00e9 durante o trajeto. N\u00e3o passamos despercebidos pela maioria das pessoas ao redor. Um homem de meia idade que estava sozinho me olhou longamente com um <strong>sorriso ir\u00f4nico<\/strong> no rosto. Havia uma <strong>freira<\/strong> no vag\u00e3o, uma das poucas pessoas que n\u00e3o nos encarou.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Avenida Paulista, sentamos na parte da frente do v\u00e3o livre do Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (<strong>MASP<\/strong>) e ficamos trocando beijos. Para minha surpresa, pouca gente que passava ali nos notava. O destaque foi para um <strong>casal de mulheres<\/strong>, pois uma delas passou bem indignada e pareceu sair comentando algo com a companheira.<\/p>\n<p>Descemos para a Augusta e era hora de trocar de parceiro. Encontrei uma amiga que ia representar a <strong>&#8220;mulher com estilo feminino namorando uma mulher masculinizada&#8221;<\/strong>, para comparar as rea\u00e7\u00f5es. Descemos de m\u00e3os dadas e paramos em um boteco em frente \u00e0 Pra\u00e7a Roosevelt. Um homem e uma mulher que pareciam muito b\u00eabados fizeram o que cabe aos b\u00eabados: foram indiscretos quando chegamos, olharam muito e comentaram algo que n\u00e3o entendi. Pedimos bebidas e a mulher b\u00eabada nos abordou: &#8220;voc\u00eas me pagam um drink&#8221;? N\u00e3o sei se aquilo era uma <strong>cantada<\/strong>, mas ela foi embora dizendo que iria para casa dormir sozinha.<\/p>\n<p>Seguimos descendo e passamos pela Rua Avanhandava, mas os engravatados que costumam ficar na porta dos restaurantes chiques foram discretos nos olhares. Me despedi da minha namoradinha e o rol\u00ea acabou ali. <strong>S\u00e3o Paulo n\u00e3o fez grandes esc\u00e2ndalos com meu visual masculinizado<\/strong>. Posso ter esperan\u00e7as de um mundo melhor, ou devo pensar que <strong>bom comportamento<\/strong> das pessoas foi causado pela pressa?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bofinhas e homens trans n\u00e3o s\u00e3o a mesma coisa. 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