Natasha Vilarino
29 de janeiro de 2015

Aprendi como fazer massagem tântrica

Aprendi como fazer massagem tântrica num curso em grupo e mergulhei no universo do tantra. Chorei, sorri e gozei muito.

Que tal sentir todo o prazer que seu próprio corpo pode te oferecer, além de proporcionar ao parceiro sensações deliciosas, nunca antes experimentadas? Iluminar-se com o fato esquecido de que sua sexualidade está fortemente ligada a diversos tipos de sentimentos, ações e acontecimentos. Curar-se de distúrbios sexuais — ou até mesmo perceber que eles não existem de fato. Contemplar o corpo do outro com respeito e amor. Admitir que a sexualidade da mulher é altamente oprimida e vê-la elevada a um patamar sagrado. Ter orgasmos intensos e com squirt. Superar tabus. Todos esses resultados são caminhos aonde o Tantra pode te levar — ou não. E algumas dessas premissas se colocaram diante de mim nos últimos meses, nas duas massagens tântricas individuais que recebi e num curso em grupo de massagem tântrica do qual participei, onde aprendi como fazer uma massagem tântrica.

Antes de contar minhas experiências tântricas, é prudente pontuar um pouco de história e contexto. Graças às promessas de um sexo fantástico, o Tantra é fonte de enorme curiosidade, o que gerou adaptações ao modo de vida ocidental contemporâneo e, consequentemente, algumas simplificações. Muita gente pensa que Tantra é sinônimo de massagem nos órgãos genitais, ou de sexo lento, sem penetração, sem necessidade de ereção e com orgasmos intensos, o que não é exatamente uma mentira. No entanto, devemos entendê-lo como uma filosofia comportamental, que extrapola as fronteiras daquilo o que entendemos por sexo.

Afinal, o que é tantra?

O Tantra teve suas origens entre o povo drávida há cinco mil anos, numa região que hoje abrange a Índia e o Paquistão. Muito basicamente ele se baseia na busca da consciência de que tudo o que existe é uma manifestação da energia divina, criadora e mantenedora do universo — e visa a colocar isso em prática. Ao longo dos séculos, o Tantra foi sendo incorporado e também foi incorporando elementos do hinduísmo, do budismo, do yoga e de outras culturas espiritualistas. O terapeuta que coordena o curso do qual participei, Gilson Nakamura, nos explicou que hoje é na verdade praticado o Neotantra, muito ligado aos ensinamentos do popular mestre indiano Osho, que trouxe para a filosofia uma ênfase na liberdade sexual. Gilson também ressalta que a essência do Tantra não está apenas nos livros:

– O primeiro passo é experienciar. O estudo sem experimentar vai fazer com que a leitura seja algo meio abstrato, sem sentido. Depois disso, aí sim eu recomendo estudar para que tenha uma melhor compreensão do processo.

Gilson é formado pelo método Deva Nishok de Massagem Tântrica, um dos mais conhecidos no Brasil:

– No método Deva Nishok trabalhamos mais o aspecto energético e a unidade do corpo. Tudo faz parte, tudo lhe pertence, tudo representa quem você é, sem divisão.

Os ensinamentos de outras práticas, filosofias e religiões não devem ser descartados por quem quer mergulhar no Tantra, mas originalmente ele preconiza simplesmente que o indivíduo seja espontâneo e natural. Ao participar de uma massagem, curso ou vivência tântrica em grupo, aspectos como confiança e entrega serão trabalhados.

Além das dos atendimentos individuais e dos cursos em grupo de massagem tântrica, Gilson ministra workshops de Tantra abordando temas diversos, focados na percepção de aspectos comportamentais e emocionais. Através deles, os participantes vão “subindo de nível”, até terem os pré-requisitos necessários para participar do workshop “Do Sexo à Supraconsciência”, que tem como um dos focos o sexo tântrico. Tendo em vista as grandes diferenças entre as técnicas de massagem para homens e para mulheres, há cursos de tantra específicos para gays e lésbicas, público que acabaria não aproveitando a totalidade dos conteúdos ministrados nos cursos “hétero”.

Massagem tântrica

O simpático quartinho depois da massagem do Daniel

Minha primeira experiência tântrica já começou com um desafio: logo de cara, o Daniel Carletti, assistente de Gilson e dono do espaço Tantra Lótus, queria saber se eu preferia o atendimento de massagem tântrica com um homem ou com uma mulher. Tive que pensar muito antes de responder e, enfim, não consegui decidir, então disse um “tanto faz” e recebi como resposta:

– Na verdade eu te recomendo que receba de um homem e depois de uma mulher para ver a diferença na energia que é trabalhada e seus resultados.

Pensei por um segundo que se a massagem fosse ruim, seria ruim em dobro, mas eu estava com um bom pressentimento. Agendei o primeiro atendimento para uma noite de quinta-feira e enquanto fui caminhando em direção ao local, minha respiração se acelerou e senti certo frio na barriga. Respirei fundo e toquei a campainha. O espaço fica numa casa charmosa no bairro da Vila Mariana, de fácil acesso para quem vai de metrô. Daniel me recebeu e conversamos na sala de espera; ele me contou sobre sua trajetória no Tantra, sobre o desenvolvimento de seu método de massagem, além de histórias inusitadas de seus atendimento e aproveitou para me convidar para o curso em grupo que ocorreria no mês seguinte — e é claro que eu topei. Percebi que Daniel era um profissional feliz com o próprio trabalho, apesar deter travado uma difícil batalha consigo mesmo no começo da carreira como massagista:

– Comecei a me relacionar com uma pessoa que trabalhava com massagem, a Nalini, e passei a ajudar com divulgação e manutenção deste espaço há seis anos. Mas eu não atendia, fazia massagem só nela, porque eu tinha muito medo de atender outra mulher e na hora o meu “lado homem” falar mais alto. Assim, se o homem que trabalha com tantra não sustenta a energia dele e da pessoa que está recebendo, aquilo vira sexo. A pessoa fica vulnerável, ela fica nas suas mãos, se você não tem responsabilidade sobre o que você está fazendo, não trabalhe com isso.

Depois de uma meia hora de papo, eu já estava mais tranquila, então subimos para o quarto da massagem. Tomei um banho, coloquei o roupão sem nada por baixo, como fui orientada e me dirigi ao futon onde tudo aconteceria. O primeiro passo era aprender a respirar da forma correta durante a execução da massagem. Daniel explicou que eu deveria inspirar e expirar somente pela boca. Além disso, eu não deveria reprimir risadas, gritos e gemidos que eventualmente surgissem. Manter os olhos fechados também era importante para potencializar a sensações dos toques.

Antes da massagem ele realinhou meus chakras, o que por si só já foi muito relaxante. Apenas um minuto depois de iniciar a respiração daquela forma eu já sentia certo formigamento no rosto e dificuldade de raciocinar. Os pensamentos iam surgindo fragmentados, senti certa confusão mental e flashes de acontecimentos passados vieram à tona, algo normal e comum de acontecer durante a massagem, segundo Daniel. Ele me contou que diversas pessoas se recordam de situações, muitas vezes, traumáticas:

– Atendi uma mulher que, no meio da massagem, lembrou  que havia sido abusada sexualmente pelo próprio pai quando era criança, fato que ela confirmou numa conversa com o irmão depois da sessão.

Por motivos que podemos imaginar, a mulher havia apagado aquilo de sua memória. O fato é que com as lembranças vindo, senti certa vontade de chorar e derramei algumas poucas lágrimas. Não era exatamente tristeza, porque lembro nitidamente de me sentir muito grata pelo simples fato de existir e ter passado por tudo o que passei, principalmente porque percebi que não eram situações traumáticas. Não dá muito bem para explicar.

Daniel prosseguiu com a sensitive massagem, feita no corpo todo com as pontas dos dedos e dois tipos de pluma. Ela é muito prazerosa, mas os toques em regiões como costas e solas dos pés podem ser quase uma tortura pra quem sente cócegas como eu. Não contive as risadas e me contorci bastante.

O arsenal da massagem tântrica

Pouco a pouco, a sensitive massagem foi dando lugar aos toque mais firmes da yoni massagem, feita diretamente na vagina e com muito óleo essencial de semente de uva. Com os olhos fechados foi difícil identificar como cada toque era feito, mas pouco importa, pois eram todos deliciosos; tinham a pressão e velocidade na medida certa, sem muita delicadeza, nem afobação — ou seja, o tipo de coisa que só acontece com quem nos conhece há algum tempo. O primeiro orgasmo veio antes mesmo de começarem as manobras com vibrador e os toques no ponto G.

Daniel frisou que somos condicionados a encerrar o sexo depois do primeiro orgasmo, ou a tirar um tempo de descanso, e que isso pode atrapalhar bastante as chances de conseguir gozar novamente e de manter o pique por mais tempo. Na massagem, ele tenta quebrar esse ciclo, continuando as manobras com o vibrador e o ponto G simultaneamente, mesmo após o êxtase, o que em mim causou uma sensação meio dolorida, que foi aliviada com os orgasmos seguintes.

Comecei a sentir uma vontade enorme de fazer xixi. Como assim, se eu havia ido ao banheiro minutos da massagem? Tive mais uns dois orgasmos em sequência, e a vontade só aumentava. Até que Daniel falou enfaticamente:

– Solta, não segura nada!

Ué… Era pra fazer xixi ali mesmo? Achei mancada e continuei segurando. Mais orgasmos vieram, mais vontade de ir ao banheiro. Perdi a conta de quantas vezes gozei, mas poderia chutar que foram umas dez. Daniel só parou quando eu pedi, pois já estava exausta e meu clitóris doía depois de quase duas horas de massagem. O tempo voou. Ao fim, ele se sentou em silêncio ao meu lado por alguns minutos e saiu da sala para preparar um chá. Ao voltar, me contou algo que os leitores mais escolados já devem estar imaginando:

– A hora em que eu pedi pra você soltar tudo, é porque eu sabia que era squirt e não urina. Muitas mulheres que nunca pensaram que era possível ter a ejaculação feminina acabam tendo durante a massagem no ponto G.

Bem, azar o meu que não percebi… Lembrei de todas as vezes em que senti o mesmo aperto esquisito durante o sexo e sempre fiquei segurando. Vivendo e aprendendo, né? Saí da massagem cansada e ao mesmo tempo muito relaxada. Era só o começo da minha pequena jornada pelo Tantra.

Massagem tântrica com uma mulher

Uma semana depois da massagem com o Daniel, era a vez de Nalini, sua esposa, me atender. Fui recebida pela terapeuta com um enorme sorriso e um longo abraço. Antes da massagem, ela procedeu de forma bem diferente de Daniel, sem nenhuma explicação técnica. Apenas se apresentou, contando alguns fatos sobre sua história de sua vida e pediu que eu me apresentasse também.

Logo que a sensitive massagem começou, percebi que havia algo de muito diferente nas sensações produzidas pelo toque feminino. Suas mãos me percorriam com mais firmeza e às vezes beiravam certa agressividade e, sem saber o porquê, eu estava muito mais mergulhada nas minhas emoções do que nas sensações produzidas. Com a yoni massagem, tive o primeiro e único orgasmo daquela sessão e, depois disso, a massagista começou a pressionar a região da minha glândula timo, que fica no meio do peito. Senti ainda mais dor, veio uma grande vontade de chorar e o fiz sem pudores. Nalini gritava comigo palavras de incentivo e superação e, mesmo em meio às lágrimas, eu sentia um grande prazer, uma libertação. Nada mal para mim, que sou meio cética sobre essas sentimentalidades…

Depois de uma hora, ela finalizou o atendimento, me trouxe o chá e quis saber sobre tudo o que eu havia sentido, num tom de aconselhamento. Explicou, de acordo com seus conhecimentos tântricos, que a glândula timo é capaz de armazenar velhas mágoas e quanto mais incômodo ao pressioná-la, mais tristeza guardada. Fiquei dias depois sentido a glândula doer. Logo depois que Nalini saiu da sala resolvi gravar um breve depoimento:

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Mas, afinial, como fazer massagem tântrica?

Era apenas o segundo final de semana de um novo ano e eu já estava metida num rolê inusitado: passar dois dias interagindo com estranhos, tocando-os e sento tocada por eles, num expediente das 9 às 18h. Com as unhas curtas e lixadas, roupas confortáveis e toalhas e lençóis na mochila, parti rumo ao local do curso, uma casa na Vila Mariana. Das 20 pessoas, poucos não estavam tímidos, mas entre uma mastigada em outra no café da manhã que estava sendo servido, conversavam sobre banalidades. Alguns ali já se conheciam de outros verões e eu, a jornalista, o indivíduo que ameaça a paz, precisava encontrar a hora certa para me revelar. Gilson nos chamou para a edícula de madeira, lotada de colchonetes e pediu que nos apresentássemos. O grupo era muito heterogêneo: pessoas jovens, com vaga noção sobre o Tantra, se misturavam aos velhos de guerra, massoterapeutas e entendidos no assunto.

 

Uma das garotas tinha apenas 19 anos, enquanto alguns homens e mulheres tinham cerca de 50. Havia um homem casado, participando sem a esposa, e um casal. Muitos orientais. Revelei que eu era jornalista e ninguém pareceu achar aquilo ruim.

Uma das justificativas para o preço elevado do curso, além da mão de obra especializada, aluguel e materiais, é a diminuição das chances de atrair homens querendo “se aproveitar” da situação. Preciso explicar que o regime patriarcal em que vivemos faz com que a maioria dos homens busque sexo a todo custo e que isso poderia atrair curiosos? Nenhum homem ali era curioso, nenhum homem ali nos olhava com maldade. Mesmo assim, Gilson, como faz sempre, deixou a escolha dos parceiros na mão das mulheres, explicando com sua voz suave e pausada:

– Os homens acabam escolhendo por critérios superficiais, como beleza… Então eu prefiro deixar esse poder para as mulheres.

Os homens mais experientes, que já tinham na bagagem cursos de massagem e de Tantra, eram os mais requisitados e foram escolhidos primeiro. Eu tinha que pensar rápido em um critério para decidir e resolvi escolher o “qual deles tem cara de um amigo meu”. Olhei pro Carlos, um nissei, talvez sansei, um pouco sério, um pouco descolado, que mencionara ser fotógrafo em sua apresenteção. A primeira aula prática era sobre a sensitive massagem, feita de maneira muito parecida com a que recebi de Daniel e Nalini.

Eu precisava tirar a roupa, toda a roupa. Ok, tranquilo. Na frente de outras 20 pessoas. Igualmente tranquilo, afinal, todas as outras mulheres estariam nuas. Eu estava menstruada e não havia levado absorvente interno — espera, apenas imagine a dificuldade de ficar completamente nua com outro tipo de absorvente! Fiquei levemente desesperada e saí pedindo um O.B. para cada mulher que eu via pela frente, todas super ocupadas em ir ao banheiro e se trocar. Aparentemente eu era a única mulher menstruada e só a Katya tinha um absorvente na bolsa, que me salvou. Essa foi por pouco.

Bati um papo rápido com meu parceiro e a massagem começou. Katya, que estava como assistente, e Gilson iam passando pelas duplas para ajudar com os toques. Poucas mulheres ao redor gemiam, mas algumas expressavam reações mais efusivas, com gritos de dor que se transformavam em prazer e às vezes pareciam de desespero. Meu parceiro fez tudo corretamente, de forma bem equilibrada.

Pausa para o almoço e banho; depois seria minha vez de executar a sensitive massagem. Eu queria impressionar, fazer uma massagem louca — e essa minha expectativa foi péssima. Fiquei mais focada em mexer as mãos de um jeito legal, usar o cabelo e percorrer todo o corpo de Carlos do que em sentir cada toque, prestando atenção no aqui e agora, o que, segundo Gilson, é o mais importante do que a técnica. Vi alguns homens em volta tendo ereções, mas não eram a maioria e, ao contrario das mulheres, não gemiam, nem se contorciam.

Acabei me cansando em excesso, mas estava pronta para relaxar com a próxima etapa, a yoni massagem. Gilson nos convocou a trocar de parceiro e Larissa, a moça da dupla ao lado, prontamente sugeriu que fizéssemos um “troca-troca” ali mesmo entre nós. Meu novo par do dia seria Jefferson que, assim como eu, tinha vinte e poucos anos e parecia estar muito disposto. A maioria dos jovens ali pareciam mais afobados. Eu, pelo menos estava e Jefferson, aparentemente, também.

Com alguns minutos de massagem, as mulheres já gritavam, calculo eu que eram três ou quatro as mais empolgadas. Ao mesmo tempo em que o barulho tirava a minha concentração, senti que começava um efeito catártico e o gozo ficava cada vez mais para todas as mulheres simultaneamente. Infelizmente eu não poderia receber os estímulos no ponto G, por causa da menstruação, mas com alguns ajustes na velocidade e pressão dos toques, propostos por Gilson e Katya, enfim, deu tudo certo, tive alguns orgasmos e ao final fiquei me sentindo muito positiva, renovada e cheia de amor.

Bem mais relaxada do que na parte da manhã, fui me vestir novamente para a próxima etapa, a lingam massagem (lingam significa pênis). Nos corredores, era nítido o quanto todos os participantes estavam mais soltos, fazendo piadas e sorrindo. Ao voltar para os colchonetes, Gilson nos deu uma pequena palestra sobre a importância de usar muito óleo, de estrangular a base do pênis e de esticar bem o prepúcio para evitar o movimento masturbatório, o que dificulta a ejaculação.

Primeiro deveríamos fazer as manobras lentas, todas orientadas por Gilson ao microfone. Eu mal havia começado e meu parceiro estava se contorcendo mais do que o normal. Sabe quando você quer bater em alguém? Parecia que ele queria isso. Até que as mãos de Jefferson encontraram meus tornozelos, me apertando e alternando com arranhões nas canelas e punhaladas no chão. Isso não estava dentro do previsto, mas preferi não reclamar para não intimidá-lo, ou cortar suas sensações. Mesmo assim, fiquei insegura, pensando que estava fazendo algo de errado… No começo, havia uma ereção, porém ela sumiu, o que tornava mais difícil a massagem e ainda maior a minha encanação. Enquanto isso, Gilson gritava instruções sobre como mexer na glande, no freio, esticar e puxar:

– Estica o prepúcio! Isso! Aperta bem a base, sem dó. Pode apertar que não dói! Agora troca de mão! Mais rápido!

Nossos punhos estavam numa aula de aeróbica daquelas bem carrascas; era com certeza a “punheta” mais técnica que eu já havia feito. E mesmo assim os homens não se soltavam, só o meu parceiro era o mais efusivo — e de uma forma pouco convencional. Quando acabou, perguntei o que ele estava sentido, se ele havia lembrado de alguma coisa tensa, se a massagem estava ruim… Recebi como resposta que sua reação era apenas agitação e vontade de se “segurar em alguma coisa”. Mas só isso? Sim, só isso.

Esse era o estado da sala depois de dois dias de curso

Dormi mal e apareci com olheiras enormes no dia seguinte do curso. Uma das moças havia desistido; àquela altura, todos pareciam velhos amigos e acabei sentindo falta da presença dela. Katya deixou de ser ajudante e passou a participar no lugar dela. Meu parceiro daquele dia era o Leandro, que tinha uns papos legas sobre xamanismo e ayahuasca.

A primeira atividade em dupla parecia, numa comparação talvez esdrúxula, uma simulação de sexo. De roupa, deveríamos nos posicionar sentados; a mulher no colo do homem, com as pernas por cima, um de frente para o outro, ambos movimentando-se para frente e para trás continuamente. A respiração era cíclica: enquanto um inspirava e ia para a frente, o outro expirava e ia para trás. Depois de uns 15 minutos nessa posição, uma das participantes soltou gritos muito agudos e absolutamente desesperados. Nesse momento, a sala toda levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo, até que Gilson foi até ela.

– Eu preciso machucar alguém! — gritou.
– Então pode bater. — respondeu Gilson.

Ela partiu para cima dele, que e se esforçava apenas para não se machucar. “É só isso que você consegue fazer?”, provocava Gilson, tentando tirar toda a tensão dela.

– Eu te odeio, você arruinou a minha infância — berrava para alguém do passado algo que, provavelmente, guardou por anos.

Conforme ela foi se acalmando, pediu desculpas e se recompôs. Felizmente, o clima geral definitivamente não ficou pesado. “Eu também quero bater no Gilson”, virou a piada mais repetida naquele dia. O curso seguiu com a troca da sensitive e yoni/lingam massagem entre as duplas. Os homens já se soltaram bem mais, alguns gemeram muito alto, o que somado aos gritos do Gilson, causaram um pequeno barraco na casa ao lado, de onde pude ouvir o berro:

— Vocês não têm respeito pela vizinhança!?

 

Para saber mais detlhes sobre as massagens e os cursos:

– Site do Gilson Nakamura: http://gilsonnakamura.com.br/

– Site do Espaço Tantra Lótus: http://tantralotus.com.br/